Monday, January 23, 2012

Saturday, April 17, 2010

Somos um pequeno e desgraçado país

Temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica.

Somos um pequeno e desgraçado país. Não somos pequenos e desgraçados porque sempre fomos; afinal, não somos o Haiti, não somos a Bolívia, não somos a Serra Leoa, não somos o Uganda, não somos a Moldávia, não somos a Guiné; não somos assim porque nos fizeram assim, não fomos colonizados, não descendemos de escravos, não fomos deportados, explorados, invadidos, vencidos. A União Soviética não nos pisou com bota cardada e a Alemanha não nos ocupou. Tivemos um ditador e tivemos a revolução sem sangue e a criação da democracia e dos partidos. Tivemos os fundos europeus e a absorção de um milhão de retornados. Tivemos colónias, ouro, escravos e uma história que não nos envergonha. Temos uma longa e estabelecida nacionalidade. Temos a coragem e o génio de ter escapado a Castela. Temos a miscigenação, a lírica e a épica. Temos as descobertas e a geração de Aviz. Temos uma identidade e uma cultura, temos uma língua falada por milhões. Temos 800 km de praia e sol.

Temos muitas razões para sermos felizes. E não somos. Somos um pequeno, desgraçado e deprimido país que se queixa por tudo e por nada, que se detesta e detesta o sucesso alheio, que aniquila a qualidade e promove a incompetência, que deixou que a administração pública fosse tomada de assalto por parasitas partidários, por gestores imorais e por políticos corruptos ou que fecham os olhos e promovem a corrupção como forma de manutenção do poder. Somos um país sem esperança onde nada avança e nada acontece, como escrevia o poeta Ruy Belo.

Sai-se da pátria e regressa-se à pátria e as notícias são as mesmas; é como se o mundo girasse e nós parados. À espera do apocalipse. Tudo nos diz que amanhã será pior e toda a gente nos pede mais sacrifícios, mais penúria e mais infelicidade. É impossível levantar um país de vencidos ou convencê-lo a fazer alguma coisa por si. Leio as notícias sobre o extraordinário salário de António Mexia, da EDP, os 3,1 milhões anuais, e penso o que pensa uma pessoa normal: não vale a pena. Os velhos morrem de frio no Inverno porque não têm dinheiro para pagar "a luz" e o senhor energia tem um salário igual ao dos melhores 200 gestores americanos. Numa empresa falsamente privatizada que floresce num regime de monopólio e em que o Estado é o maior accionista. E aquilo é o salário, fora os benefícios e os cartões. Fora as reformas e as pensões. A permanente resignação perante a imoralidade é que nos torna passivos, fracos, assustados, irresolutos e cúmplices da delapidação do nosso dinheiro. E um governo socialista autorizou isto e promoveu isto. E pior do que isto. Não se trata de premiar o mérito, trata-se de premiar a estupidez. Porque deixamos isto passar.

Imagine-se que nos acontecia uma verdadeira desgraça. Quando Wall Street veio por aí abaixo eu estava em NY e fui a Wall Street. Vi banqueiros e financeiros saírem de cabeça coberta por jornais a meterem-se nos buracos do metro, envergonhados. Insultados. O mundo pensou que era o fim do seu mundo. Que o sistema capitalista tinha acabado. Etc. O capitalismo não acabou, nem vai acabar. Regenerou-se no que foi obrigado. A linguagem e a política que Obama adoptou tiveram efeitos. A América sai da crise, com os seus desempregados. A seu modo, brutal, corrige as falhas. Ali, a política ainda conta e o sistema de justiça funciona (com erros e defeitos) e faz funcionar a democracia. Acima de tudo, os americanos acreditam na América e têm o optimismo do copo meio cheio. A América, um grande e engraçado país, não perde tempo em lamúrias. Já se fazem piadas sobre o 11 de Setembro e sobre o crash das bolsas e dos bancos. A América reconstrói-se todos os dias e recomeça. Analisar a vitória política de Obama com o seu Plano de Saúde é uma lição de política, tanto para os republicanos como para os democratas.

A América é um país que corre para a excelência e que rejeita a mediocridade. E a um ciclo de mediocridade segue-se um de excelência porque a rota corrige automaticamente. O sistema autocorrige-se na passagem do tempo. As torres que vão surgir no WTC serão as mais altas do mundo. Esta dose de megalomania é saudável porque toda a gente precisa de símbolos e de modelos. Em Portugal, deixámos de ter símbolos e não temos modelos. O português mais influente é um jogador de futebol. O segundo mais influente é um treinador de futebol. E ponto final. Temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica ludibriada por autodidactas ou por rapazes com cursos tirados no estrangeiro que chegam a Portugal com um objectivo: enriquecer. Enriquecer à sombra do partido, do padrinho na banca e do Estado. De nós. E a justiça trata de si e dos seus privilégios. Somos um pequeno e desgraçado país.



Texto, da autoria de Clara Ferreira Alves, publicado na edição da Única de 10 de Abril de 2010

Tuesday, April 13, 2010

13 de Abril

103º dia do ano no calendário gregoriano (104º em anos bissextos). Faltam 262 para acabar o ano.


Eventos históricos
1598 - O rei Henrique IV da França decreta o Edito de Nantes, conferindo liberdade de religião aos huguenotes (calvinistas).
1726 - Fundação da cidade de Fortaleza - Estado do Ceará - Brasil.
1829 - O Parlamento do Reino Unido concede liberdade de religião aos Católicos Romanos
1831 - Dom Pedro I, Imperador do Brasil, assina a sua abdicação e parte para o exílio
1931 - Primeira execução do Hino Nacional Brasileiro
1941 - Pacto de Neutralidade entre a URSS e o Japão é assinado
1945 - II Guerra Mundial: O exército vermelho toma Viena
1970 - Explode o tanque de oxigênio da Apollo 13
1985 - Enver Hoxha é sucedido por Ramiz Alia como líder da Albânia
1987 - Portugal e China assinam a "Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau", um acordo sobre a devolução de Macau em 1999 à República Popular da China.

Nascimentos
1519 - Catarina de Medici, rainha consorte de França (m. 1589)
1570 - Guy Fawkes, conspirador do plano para destruir o Parlamento inglês (m. 1606)
1743 - Thomas Jefferson, presidente americano (m. 1826)
1771 - Richard Trevithick, inventor britânico (m. 1833)
1866 - Butch Cassidy, Fora da lei americano (d. 1908)
1885 - Georg Lukács, crítico literário e teórico marxista húngaro (m. 1971)
1892 - Arthur Harris, comandante da RAF durante a Segunda Guerra Mundial (m. 1984)
1901 - Jacques Lacan, psicanalista e semanticista françês (m. 1981)
1906 - Samuel Beckett, dramaturgo e escritor irlandês (m. 1989)
1922 - Ivone Lara, compositora e sambista brasileira. Julius Nyerere, político tanzaniano (m. 1999).
1923 - Don Adams, ator norte-americano (m. 2005).
1931 - Dan Gurney, ex-piloto norte-americano de corridas.
1939 - Seamus Heaney, poeta e escritor da Irlanda do Norte - Ganhador do Nobel de literatura de 1995.
1942 - Bill Conti, compositor norte-americano.
1946 - Orlando Brandes, bispo brasileiro.
1947 - Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português.
1949 - Ricardo Zunino, ex-piloto argentino de F-1.
1954 - Roberto Dinamite, ex-futebolista e atual presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama.
1955 - Safet Sušić, ex-futebolista bósnio.
1960 - Dulce Quental, cantora brasileira. Rudi Völler, ex-futebolista e treinador alemão de futebol.
1962 - Hillel Slovak, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers (m. 1988).
1963 - Garry Kasparov, ex-enxadrista azerbaijano. Roberto Cavalo, ex-futebolista e treinador brasileiro de futebol.
1964 - Eusebio Sacristán, treinaor de futebol espanhol. Andy Goram, ex-goleiro escocês.
1966 - Ali Boumnijel, ex-goleiro tunisiano.
1970 - Ricky Schroder, ator norte-americano. Eduardo Capetillo, ator mexicano.
1971 - Steven Lustü, futebolista dinamarquês.
1973 - Gustavo López, ex-futebolista argentino. Sabotage, rapper brasileiro (m. 2003). Leonardo Valença, futebolista brasileiro. Eduardo Sebrango, futebolista cubano.
1974 - David Zdrilic, futebolista australiano. Augusto Porozo, futebolista equatoriano. Pablo Cavallero, goleiro argentino.
1975 - Lou Bega, cantor alemão. Bruce Dyer, futebolista de Montserrat.
1976 - Manius Abbadi, jogador brasileiro de vôlei. Jonathan Brandis, ator norte-americano (m. 2003). Diego Crosa, futebolista argentino.
1977 - Leonardo Biagini, futebolista argentino.
1978 - Edvaldo Valério, nadador brasileiro. Carles Puyol, futebolista espanhol.
1979 - Ivica Križanac, futebolista croata.
1980 - Tonel, futebolista português.
1982 - Bruno Gagliasso, ator brasileiro.
1983 - Claudio Bravo, goleiro chileno. Claudia Rossi, atriz eslovaca. Eder Ceccon, futebolista brasileiro.
1985 - Alessandro Camisa, futebolista italiano.
1986 - Toró, futebolista brasileiro.
1987 - Jonathan Legear, futebolista belga. Fabián Monzón, futebolista argentino.
Rafael Bitencourt, futebolista brasileiro.
1988 - Dirk Marcellis, futebolista holandês. Anderson, futebolista brasileiro.
1989 - Tartá, futebolista brasileiro.
1992 - Emma Degerstedt, atriz norte-americana.

Falecimentos
1605 - Czar Boris Godunov (n. 1551)
1612 - Sasaki Kojirō, grande espadachim japonês (n. 1585).
1695 - Jean de La Fontaine, poeta francês (n. 1621)
1756 - Johann Gottlieb Goldberg, virtuose alemão do cravo, organista e compositor do barroco tardio e do início do período clássico (n. 1727).
1944 - Roberto Grau, enxadrista argentino
1966 - Carlo Carrà, pintor italiano do futurismo (n. 1881)
1984 - Ralph Kirkpatrick, Músico, musicólogo e cravista americano (n. 1911)
1989 - D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto (n 1906)
2002 - Oswaldo Sargentelli, radialista, apresentador de televisão e empresário da noite brasileiro (n. 1924)

Saturday, April 10, 2010

Os incuráveis

Portugal tem o vício da dor.

Conheço várias pessoas que sofrem de delírios de grandeza, isto é: julgam-se criadores de obras grandiosas (que nunca ninguém viu) e agem e falam como se assim fosse. Não me refiro só nem principalmente a políticos. Esse delírio leva-as a considerarem-se mal tratadas, vítimas de invejas ou do obscurantismo circundante, e a sentirem que o país está em dívida para com elas. Conheço pessoas que se sabem obsessivas, ou compulsivas, ou ambas as coisas, e não se querem tratar. A psicanalista brasileira Marci Dória Passos assinala (na introdução do excelente ensaio "A dor que emudece - Travessia clínica de Louis Althusser", que infelizmente ainda não tem edição portuguesa) que "Freud observou que as queixas do paciente não correspondiam, necessariamente, ao desejo de cura. O apego a determinados sintomas evidenciou um gozo, sem sempre admitido, na manutenção daquilo que produz dor".

Portugal tem o vício da dor. Quem venha de fora não compreende porquê: a beleza da paisagem, a amenidade do clima, a segurança relativa (ou absoluta, se o turista vier de Espanha ou do Brasil, por exemplo), a qualidade da gastronomia, a variedade dos lazeres, tornam estranho este apego à mágoa. Não se trata de tristeza, mas de um sentimento de injustiça, um eco, eternamente abafado, de revolta: ninguém nos compreende, ninguém nos dá valor, ninguém nos ama.

E nós, o que amamos? De que modo manifestamos esse amor? O que fazemos para que nos amem? A resposta habitual é que o amor não tem motivo nem justiça, as coisas são como são. Ou, pior ainda: que para se ser amado é necessário não amar - pelo menos é necessário não manifestar esse amor. Crescemos a ouvir isso - as meninas, por umas razões, os rapazes por outras. Todas igualmente tontas - razões de fachada, jogos de aparência que nos ensinam a jogar à defesa, pressupondo e antecipando os ataques. Esse método de educação criou um povo desconfiado - ou seja, desprovido de esperança, nos outros e em si mesmo. E supersticioso, e fatalista. Não há momento de felicidade que não nos surja ensombrado pela desgraça futura: é bom demais para ser verdade, meditamos. Essa meditação contribui para a ruína. Evitamos manifestar-nos felizes para não despertar os monstros da inveja, que são muitos e têm o sono leve: cá se vai andando, dizemos, e é o máximo que aprendemos a dizer. No dia-a-dia, este modo de ser transforma-se em agastamento e má-vontade - nas repartições públicas, nas lojas, nas filas de trânsito, em todos os lugares de interacção social. O sorriso é uma dádiva rara - não vá o outro tomar-nos por parvos, ou esticar-se no que quer de nós.

Por isso, quando li na passada semana o resumo do estudo que revela que um quinto dos portugueses sofre de perturbações psiquiátricas, só estranhei a percentagem não ser maior. Não espanta que os mais afectados sejam "as mulheres, os jovens e as pessoas sós". Perdoa-se a redundância: as mulheres, em Portugal, são em geral - mesmo ou sobretudo as casadas - "pessoas sós". Sós também pela cultura de rivalidade feminina, acirrada, em termos laborais, artísticos ou políticos, pelo império federativo - ainda fortíssimo - dos homens, que protegem o seu território e asseguram (os números mostram-no) que elas nunca atinjam o protagonismo ou os proventos deles. Os jovens vivem hoje em Portugal sem horizonte visível, a não ser o da fama imediata e frustrante dos concursos televisivos.

Sabíamos já que somos líderes no consumo de antidepressivos. Agora ficámos a saber que estamos no topo europeu da doença mental, com números que se aproximam dos Estados Unidos, "o país com maior prevalência de perturbações psiquiátricas do mundo", segundo afirmou o coordenador nacional de Saúde Mental. É normal que um país onde a pena de morte existe, a posse de armas é livre, a segurança social é quase inexistente (até há dias, mesmo inexistente), os ataques terroristas uma ameaça permanente e as mortes em guerra um dado constante, tenha pouca saúde mental. Pergunto-me todavia se estas estatísticas abarcam o Afeganistão, o Irão, a China ou mesmo Angola. À partida não parecem lugares favoráveis à sanidade.

O estudo demonstra que a maioria das pessoas com doença mental não está a ser acompanhada por especialistas. Há um preconceito enorme em relação à psiquiatria - preconceito esse que é, por si mesmo, um sintoma nacional de doença. Talvez fosse útil criar uma campanha explicando que ir a um psiquiatra não é ser doido - antes pelo contrário. Os que se riem estrepitosamente da terapia psiquiátrica deviam começar por atender às suas próprias lágrimas. E chorá-las, em vez de as disfarçar. Seria um começo.


Texto, da autoria de Inês Pedrosa, publicado na edição da Única de 2 de Abril de 2010

Wednesday, April 7, 2010

Apple iPad

Será a nova revolução, como o iPod e o iPhone foram?
Temos que esperar e ver.

Tuesday, April 6, 2010

Inaugurações Simultâneas de Bombarda

Em Abril, sábado 17, a Arte Contemporânea volta a fazer parte da agenda cidade, num dos quarteirões (Quarteirão Miguel Bombarda) mais famosos da cidade, e que já é considerado por muitos o “soho” portuense!
Hora:16:00



A não perder...

Monday, April 5, 2010